A cidade de Salvador é marcada pela relação natural e sem nenhum constrangimento do sagrado com o profano. Os festejos populares, que costumam ter motivação religiosa, são regidos por um lado espiritual e sincrético forte, que une crenças católicas e do candomblé. Ao mesmo tempo, o lado mundano, festeiro e físico também dá o tom, com muita festa, música, dança e bebida.
Uma das mais marcantes é a Festa de Yemanjá, que é realizada no dia 2 de fevereiro e, apesar de acontecer em outros pontos da cidade, tem o bairro do Rio Vermelho como o principal foco. Por lá, acontece a tradicional entrega de presentes para a Rainha das Águas, a majestosa orixá da maternidade, os banhos de folha, os cânticos e orações e os pedidos de realizações.
A festa é também onde milhares de pessoas se reúnem para ouvir e dançar música, apreciar as tradicionais feijoadas e curtir horas nas ruas do bairro. Por elas passam blocos afro, afoxés, cortejos percussivos e grupos de samba arrastando multidões. Ao mesmo tempo, as barracas populares exalam como verdadeiros paredões de som os ritmos locais, enquanto os diversos estabelecimentos localizados no bairro fazem suas próprias festas, muitas privadas, mas muitas com caixas de som voltadas para o público na rua.
Atos de fé e religiosidade em encontro com o jeito baiano de curtir a vida, com muita diversão, transformando cada festejo em um outro carnaval. Tudo isso, ao mesmo tempo que são espaço de memória, identidade e resistência cultural do povo baiano.